Resiliência
O segredo é ser flexível sem perder a consistência
Flora
Victoria
Pense
em um momento de sua vida que você enfrentou uma grande dificuldade. Como você
se sente quando recorda desta situação: fica amargurado? Guarda ressentimento?
Você valoriza os aspectos de aprendizado das situações ruins? Ou apenas se
apega ao lado negativo dos fatos? Quanto mais respostas positivas você
formulou, mais resiliente você é. Agora, você vai compreender alguns indícios e
as atitudes fundamentais para o desenvolvimento da resiliência.
A
primeira distinção importante: resiliência não é sinônimo de resistência, ainda
que o sentido de ambas as palavras possa dialogar com harmonia. É importante
deixar claro que estas competências se complementam, mas não são iguais. Muitas
vezes, somos influenciados a pensar de forma comparativa, sobretudo em
apresentações em públicos, e a chance de erro fica evidente.
Existe
uma fábula chamada “O carvalho e os juncos”, de autoria de Esopo, um pensador
da Grécia Antiga, que é perfeita para explicar a resiliência em nosso dia a
dia. Resumindo: expostos ao vento, mesmo sendo fortes, os galhos de carvalho
sempre quebram ou são arrancados. Já os juncos, expostos ao mesmo vento,
superam a dificuldade porque se movem de acordo com a direção da ventania, logo
não quebram. Qual a vantagem dos juncos em relação ao carvalho? A
flexibilidade. Esta é a ideia-chave: ambos precisam de resistência diante do
vento forte, porém, os juncos usam a flexibilidade para balançar e depois
retornar ao estado natural. Agora, fica mais fácil compreender que resiliência
não é o mesmo que resistência, apesar de as duas exigirem solidez em suas
bases.
Segundo
Lisa Rossetti, pesquisadora britânica e especialista em liderança, a
resiliência é a habilidade que o indivíduo utiliza para superar adversidades
sem ser afetada de modo negativo e permanente. E o melhor: a resiliência também
ajuda a cultivar o pensamento criativo e humanitário.
Mas
afinal, a gente nasce resiliente ou se torna resiliente? Para a psicóloga Diane
L. Coutu, ex-editora da Harvard Business Review, a resiliência pode sim ser
desenvolvida por todos nós. E o melhor: ela descobriu que as pessoas que
possuem esta habilidade um pouco mais aflorada apresentam três características
principais. Portanto, a partir desse estudo, você pode fazer o seu teste, e
verificar seu nível de resiliência.
1.
Aceitação da realidade: pessoas
resilientes não são acomodadas. Podem ser otimistas, mas sempre com os pés no
chão. Aqui, mais uma vez a resistência aparece de forma complementar.
2.
Propósito superior: uma
caraterística fundamental dos resilientes é a crença inabalável no sentido da
vida, mesmo em situações muito adversas, quando a maioria das pessoas questiona
sua própria essência. Conforme disse o psiquiatra austríaco Viktor Frankl: “ter
um propósito é o que dá sentido à nossa existência”.
3.
Capacidade de improvisar: pessoas
resilientes possuem a impressionante habilidade de tirar o máximo de proveito
dos recursos disponíveis e de aprender com rapidez qualquer tipo de desafio.
Vale ressaltar que, com base no trabalho do antropólogo francês Claude
Levi-Strauss, a Psicologia moderna chama essa habilidade, paralela à
resiliência, de bricolagem.
Ao
desenvolver sua habilidade de resiliência, você será capaz de encontrar
soluções mesmo na ausência de caminhos óbvios ou de ferramentas adequadas para
a carreira ou para a vida.
Flora Victoria escreve
mensalmente para o Site Abilio Diniz. É fundadora e vice-presidente da Sociedade
Brasileira de Coaching,
empresa líder de mercado na formação de coaches profissionais, e presidente da
SBCoaching Empresas, organização que oferece ao mundo corporativo soluções de
alta performance.RJ 19/11/2012
Nenhum comentário:
Postar um comentário